Atividades Expressivas: Criar para Cuidar das Emoções
Você já sentiu um aperto no peito e não soube explicar o que estava acontecendo dentro de você? Muitas vezes, as emoções pedem cores, gestos e histórias, não apenas palavras. É aí que entram as atividades expressivas como terapias integrativas das emoções.

O que são terapias expressivas?
As terapias expressivas usam recursos como desenho, escrita, música, dança, colagem, teatro e histórias para ajudar a pessoa a se conectar com o próprio mundo interno.
Mais do que “fazer arte”, trata-se de usar a criatividade como ferramenta de cuidado emocional, autoconhecimento e cura.
Não é sobre talento artístico, é sobre permitir que a alma fale através da criação.
O foco não é a obra, é o processo
Um dos princípios centrais é o “processo acima do produto”: o importante não é se o desenho ficou “bonito”, mas o que você sentiu e elaborou enquanto criava.
Ao desenhar, dançar, escrever ou encenar, a pessoa libera tensões, acessa memórias e emoções profundas e encontra um caminho seguro para expressar aquilo que estava guardado.
Para o Terapeuta:
- Você não será avaliado pelo resultado
- Seu desenho não precisa “fazer sentido”
- O que vale é a verdade da sua experiência naquele momento

Como a expressão criativa ajuda na terapia?
As atividades expressivas podem transformar a forma como a pessoa se percebe e como vive suas emoções. Alguns efeitos importantes:
- Melhoram a comunicação interna e externa: você começa a se entender melhor e a encontrar novas formas de se expressar para o outro.
- Tornam o cliente protagonista: a pessoa deixa de ser passiva no processo e se torna ativa na própria jornada de cura.
- Ajudam quem tem dificuldade de falar: pessoas mais tímidas, retraídas ou que “travam” na fala se sentem mais à vontade criando.
- Escoam emoções acumuladas: tristeza, raiva, medo e angústia encontram uma saída simbólica, mais saudável do que o sintoma.
- Tornam visível o invisível: aquilo que estava confuso dentro ganha forma em imagens, histórias e gestos, ajudando no entendimento e no direcionamento terapêutico.

Histórias que curam: contos, mitos e narrativas
As histórias também são uma forma de atividade expressiva. Contos de fadas, mitos e parábolas falam de medos, perdas, desafios e transformações, usando símbolos que tocam profundamente a psique.
Ao ouvir ou trabalhar com histórias, a pessoa se identifica com personagens, enredos e desfechos, e começa a enxergar a própria vida como uma jornada com sentido.
Para destacar:
As histórias nos lembram que nenhum desafio é fim de caminho: é sempre parte de uma travessia.

A Jornada do Herói e o caminho terapêutico
Joseph Campbell descreveu a Jornada do Herói: um percurso em que alguém sai da zona de conforto, enfrenta provas e volta transformado. Essa estrutura simboliza muito bem o processo terapêutico:
- O “mundo comum” é a vida como está hoje, com sintomas e sofrimentos.
- O “chamado” é o momento em que a pessoa percebe que precisa de ajuda e busca terapia.
- As “provações” são os encontros com suas dores, medos e defesas.
- A “recompensa” é o insight, a mudança interna, a nova forma de se olhar e de se posicionar na vida.
Nas terapias expressivas, o cliente vive essa jornada criando: desenha medos, escreve cartas que nunca foram ditas, dança dores antigas e abre espaço para um novo capítulo de si.

Muito além do desenho: um universo de possibilidades
As Terapias Psicoexpressivas não se limitam a um único recurso. Elas integram diversas formas de expressão, respeitando a singularidade de cada pessoa. Alguns exemplos de recursos utilizados:
- Materiais fluidos (tintas, aquarela): tendem a acessar emoções mais profundas e facilitar a catarse.
- Materiais mais estruturados (lápis, caneta, argila): ajudam a organizar pensamentos e dar forma a conteúdos mais racionais.
- Dança e movimento: permitem que o corpo fale, liberando emoções guardadas na musculatura, postura e gestos.
- Psicodrama e teatro: possibilitam “ensaiar a vida”, revisitar cenas internas e experimentar novos papéis e respostas.
A integração de diferentes linguagens segue a visão de Natalie Rogers, psicóloga e psicoterapeuta norte‑americana, filha de Carl Rogers, criador da Abordagem Centrada na Pessoa, fundou o Person-Centered Expressive Therapy Institute, na Califórnia, e desenvolveu o método chamado The Creative Connection, em que diferentes formas de expressão são combinadas para promover autoconhecimento, cura emocional e crescimento pessoal. Ela enfatiza que o processo criativo em várias modalidades desperta diferentes camadas da experiência humana e promove uma cura mais ampla.

Para quem esse tipo de terapia é indicado?
As atividades expressivas podem ajudar:
- Pessoas com dificuldade de falar sobre o que sentem
- Quem carrega muita culpa, vergonha ou autocobrança
- Quem passou por traumas, perdas, lutos e mudanças importantes
- Crianças, adolescentes e adultos que se beneficiam de recursos mais lúdicos e simbólicos
Toda pessoa é criativa. Toda emoção pode encontrar um caminho de expressão segura.

Criar para curar: um convite
As atividades expressivas são um convite amoroso para que você dê forma ao que sente e, assim, possa transformar o sofrimento em um caminho de crescimento.
Quando você desenha, escreve, dança ou conta uma história sobre sua própria dor, não está apenas “fazendo arte”: está reescrevendo a relação com a sua história emocional.
Se fizer sentido para você, permita-se viver essa experiência. Talvez o próximo passo da sua jornada de cura esteja justamente em segurar um lápis de cor, uma folha em branco e a coragem de se expressar.
Eu sou Márcia Morais Ávila, apaixonada por ensinar tudo o que aprendo, e consciente de que a minha vida tem um propósito de Deus a ser cumprido.
